23 de julho de 2008

LUTO

Há uns 2 anos eu ouço programas esportivos na rádio. Um deles, do Marcelo Duarte, na rádio Bandeirantes AM, todas as segundas-feira tem um quadro sobre distintivos do mundo. Assim conheci Luiz Fernando Bindi.

Voz mansa, capacidade de armazenamento de informações invejável e confiança nas informações. Seu site, é fonte de pesquisa mundial no quesito distintivos de clubes. Mas não era só isso. Pesquisando sobre ele, descobri que ele era uma caixinha de surpresas maior do que o futebol.

Luiz Fernando Bindi, geográfo e jornalista. Workaholic. Tanta genialidade com míseros 35 anos. Uma promessa já cumprida. Palestrino fanático da gema da Mooca, SP.

Um dia, munida de pouca humildade, divulguei seu site como dica aqui no Bebendo Fumaça, e claro, enviei um e-mail para o contato dele esperando um retorno, mesmo que uma resposta automática. E eu tive o retorno. O ídolo virou amigo de verdade. Humilde, ele passou a devorar meus textos e trocamos orkut, msn, cafés. Eu o acompanhava em todos os programas de rádio e internet. E ao vivo, mandava mensagens como "sua voz tá rouca hoje, disfarça aí Lu".

Todos sabem que este espaço fala sobre relacionamentos e o primeiro contato com ele não poderia ser diferente. Sigilo profissional à parte, ele tinha muito a dizer. Confesso que algumas linhas minhas vieram das suas confissões. Fica entre nós.

Apaixonado por animais, Lu não fumava, mal bebia ou comia carne vermelha. Tinha uns 35 empregos e não deixava de ir em nenhum. Eu repetia todos os dias: "Pára de trabalhar Lu, assim você não vai ficar rico nunca!" Ele concordava, e continuava madrugada a dentro, dia, noite, tardes... Pedi um livro autografado e ele disse que me enviaria no meu aniversário, 13 de agosto...

Dia desses, alucinado de tanto trabalho e problemas, ele disse, em tom de sarcasmo que não faltaria a um trabalho ou estudo pela morte de um humano. Ainda se fosse por um cachorrinho, dizia ele... Eu concordava, seres humanos são infiéis, cachorros não. Ele ria da minha pouca seriedade.

Hoje, Lu, eu deixei trabalho e estudo para ir ao seu velório. Porque você não era um ser humano comum. E este plano cósmico é preparado apenas para pessoas medíocres, talvez como eu, talvez como quem nos lê. Não para você, acima da média humana, quase um cãozinho protetor. Hoje, Lu, não terei meu boa noite no messenger, nem ligarei para perguntar sobre um chifre no distintivo de um time da Romênia. Hoje Lu, o enfarto é coletivo, não só seu. Hoje eu faço o contrário de ti, deixo o trabalho de lado, para ficar rica, de luz.

Porque não só o futebol mas sim a vida inteira, é uma caixinha de surpresas.

Obrigada amigo. Força à família.

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9 comentários:

  1. Acabei de ler via feed a postagem.
    Gostaria de ter algo inteligente para dizer, mas nessa hora não há nada de certo que se diga para ajudar.
    Posso dizer para você, aproveitar tudo aquilo que ele te ensinou, pois pelo que deu para entender, ele te ensinou bastante.

    Força amiga, e que ele esteja em paz.

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  2. força sempre.
    a lembrança e a amizade ficam.

    bjssss

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  3. A dor ou ( dependendo do caso )alívio da morte é sempre dos vivos q, não mais compartilharão da Presença, com suas Alegrias e Tristezas, dos q se vão.

    Além d senti-las, nestes momentos só nos resta Refletir e Lembrar.

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  4. Nunca sei o que dizer nessas horas.

    Deixo as tiras de Bill Watterson falarem:
    http://estou-sem.blogspot.com/2008/04/eplogo.html

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  5. Poxa, Cafê... força aí pra você e pra família.

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  6. Pra quem era tão especial, com certeza subiu pra fazer algum servicinho que só um espírito especial poderia cumprir.
    Lamento muito sua perda.

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  7. A boa lembrança é que fica para sempre.. belo texto.. bela forma de relata uma dolorosa partida.

    Força...



    Texto de hoje: aMor...

    Visite e Comente... http://oavessodavida.blogspot.com/

    O AveSSo dA ViDa - um blog onde os relatos são fictícios e, por vezes, bem reais...

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  8. Falar o quê? Infelizmente, não conheci o cara. Partir assim, tão jovem, e cheio de promessas...

    Mta força pra vc, Café, e pra família do cara.

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  9. Passei para dar um alô e dizer que estou de volta.

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