25 de outubro de 2008

A Chave - A Tal da Calcinha Bege


Bom sábado amigos e inimigos!! Hoje é dia de A Chave, textos enviados por vocês! Desta vez foi a Gina (aquela mesma dos Palitos Gina... ou da música "Vaí Gina.."). Obrigada Gina pelo envio, desculpe a demora da publicação mas problemas técnicos com minha b(u)anda larga impossibilitaram anteriormente...


A tal da calcinha bege...

Todo mundo sabe e concorda categoricamente – mulher é um bicho estranho em todos os sentidos – nós, as mulheres, viemos de outra espécie humana: o "Homo Esteticus". Não adianta reclamar, dizer que não se cuida, que não usa maquiagem, chapinha, escova, que anda desleixada. No máximo o que você faz é disfarçar que possui a tal da beleza natural: naturalmente cheia de blush, pó, rímel, corretivo, sutiã com enchimento...

Lá vai você, pretty woman, viver sua vida de mulherzinha e acontece que lá pelas tantas aparece alguém e te convida para sair. Claro que depende da mulher, depende do cara, mas como é uma situação hipotética e caricata, não faz diferença. Enfim, você, que quase não se arruma, já começa a fazer o planejamento-físico-astral, marca tudo: escova, unhas, sobrancelha, pinta o cabelo, marca uma seção traumática de depilação completa e quando não faz algum tratamento a mais, afinal estes são só os basiquinhos. Pinta até as unhas do pé! Você acha mesmo que ele vai olhar para o seu pé? “vai que ele é um maníaco por pés...”. Para depois, no dia do encontro, o cara te elogiar e você dizer que nem deu tempo de se arrumar. Olha só a cara de pau!

Claro que, de certa maneira, estou exagerando, mas o planejamento feminino checa todos esses pontos de uma maneira ou de outra e não só em situações como essa, solteiras, casadas, enamoradas, todas têm seus momentos. Até eu que sou adepta da mendicância semanal, no maior estilo Amy Winehouse, leia-se: saio de mendiga, com a pior roupa, o pior cabelo, a cara mais amassada, tenho uma preocupação extrema para sair com o meu namorado, aí se tem um pêlinho fora do lugar na minha sobrancelha!

Enfim, voltando a situação hipotética e caricata, depois do salão diretamente ao shopping escolher sapatos, roupas e a lingerie. Lá vai você para aquela enormeeee loja de departamento para gastar menos, comprar tudo e escolher a dita lingerie. Pois mesmo que você não planeje algo a mais ou planeje, enfim, você se preocupa até com isso. Já parou para pensar que um homem nunca se preocuparia com a cor da sua cueca? “Hmm acho que hoje vou sair de cueca preta para combinar com a cor dos meus olhos.”

Mas lá está você na loja escolhendo a calcinha. E se as pessoas souberem? E se passar alguma colega? Você entra na seção, começando pelas camisolas "mamãe sou GG", a seção está lotada, vai para seção das calcinhas bege sem costura, é um tsunami de mulheres. Uma loucura! Se tiver alguma por R$9,90 vai ter mulher pulando até do teto para pegar uma.

A calcinha bege é o maior crime que alguém pode cometer a si mesmo e a sua sexualidade, afinal, nada mais bonito que uma marquinha de calcinha. Não é? E lá vão nossos queridos fabricantes fazendo calcinhas e mais calcinhas beges, sem costura, com push up, com bunda-up. Imagine só o constrangimento, você lá com o seu namorado, marido, affair e de repente ele tira a sua calcinha e vê que metade da bunda desaparece?

E lá na seção da calcinha bege a beira do pisoteamento, as mulheres desvairadas compram dúzias e dúzias de peças e você só quer passar para seção das calcinhas de rendinhas, aquelas mais bonitinhas no fim da loja.

Até que o mar vermelho se abre, Maomé passa pelas centenas de seções e seções, uma mais lotada que outra, principalmente aquela desprezível das calcinhas teens "divertidas", até que Maomé chega até as calcinhas de renda, quando recebe um fuzilamento extremo de olhares, como se todos notassem sua presença infame. Aquele enxame de mulheres começa a fofocar e apontar e você no meio da ilha de Lost das calcinhas sensuais, sem armas, impotente, a diferente.
Por que sentimos tanta vergonha de coisas tão bobas? Como comprar absorventes, calcinhas, anticoncepcionais, entrar num sex shop (eu disse pet shop hein! Ninguém pode saber. Não conta!)? A liberdade sexual tanto pregada e dita por aí é uma liberdade anônima, ninguém pode falar, ninguém pode saber, ninguém pode ver. E você que está aí lendo esse texto se achando a mulher emancipada, faça o teste, vá até a farmácia e peça para um vendedor 5 caixas de OB extra GGG, vai lá e vê se você não se embasbaca toda.

Somos estimulados a todo instante por todo tipo de comunicação junkie, a cada 100 metros uma bunda estampada em um outdoor, um seio, um homem e uma mulher simulando momentos íntimos, enquanto na mídia, nos horários mais familiares, as novelas e folhetins são praticamente filmes pornôs.

Caminhamos para um momento em que até os desenhos infantis vão ter cenas calientes, ao mesmo tempo em que nos retraímos, sentimos vergonha de comprar uma calcinha mais atraente, usar um decote mais aberto e imagine só vergonha de comprar um ingênuo absorvente!

E o pior de tudo é que não queremos ter vergonha! Sim! Não queremos, mas é natural, não adianta querermos aproveitar a promoção de pague 10 leve 9 de absorventes, vamos morrer de vergonha com aquele gigantesco pacote verde fluorescente com Pink no caixa.

Enfim, somos um bicho estranho mesmo, vá entender! Eu já desisti...

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9 comentários:

  1. Mulher é bicho estranho mesmo.

    Começou falando da plástica que fazem, e terminou falando de calcinhas e vergonhas, hauhuahuaha.

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  2. Basta dizer que numa dessas noites calientes [e sim, totalmente previstas], eu estava usando não só uma calcinha bege... mas uma calcinha bege-mamãe, aquelas que segura até o peito.

    Viva Bridget Jones!

    \o/

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  3. eu descobri o sentido da vida e entendi as mulheres.
    sinceramente a primera parte foi facil

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  4. ???
    Embaraçoso é pedir Peptosil no balcão e receber um olhar solidário.

    Kuka

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  5. Ótimo texto, só não entendi uma coisa: De que raios ela tirou o Maomé do Mar Vermelho. Eu jurava que era Moisés...

    kkkkkk...

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  6. ahushaushuah

    Acontece nos melhores alcólatras

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  7. É...somos estranhas!
    Mas é por isso que somos tãããão interessantes!

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  8. E viva as mulheres!Estranhas como nunca e lindas como sempre!

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  9. E pensar que um dia estava eu lá seguindo as mulheres da minha família, e quando vi, era o único homem ali, segurando calcinhas e observando as rendas contra luz. De repente soltei:

    "Que criatura usaria isso aqui?"

    Nota mental: a mulher ao lado tinha duas na cesta! ^____^

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