22 de novembro de 2008

Motivos Imotivados para trair


Valéria estava cansada daquele relacionamento neurótico. Sempre foi assim, cada semana um problema diferente e aquele casal virara um divã. Um usava o outro de psiquiatra, um receitava ao outro remédios que não podiam comprar.

Daniel estava cada dia mais confuso. Era contraditório, dizia que não amava mas se perdia de ciúmes e desconfianças. Valéria era segura na frente dele e ele nunca sabia se isso era só um disfarce ou se realmente isso acontecia.

O fato é que ambos tinham uma lista de reinvidicações e não sabiam dizer. Ela dizia que ele não a satisfazia. Ela queria mais. Ele queria menos. Ela precisava de mais calma e ele de mais vinho. E por isso começaram a brigar diariamente, com a única e exclusiva desculpa de poderem trair sem pesos na consciência. E assim tentavam.

Daniel disse que iria em qualquer bar com amigos, aquela coisa arrogante de dizer "coisa de homem" e ela viu uma oportunidade para agir. Lá no bar, sem ela, algumas mulheres depois, ele terminara a noite aos beijos com uma mulher de beleza duvidosa mas gostosa demais. E ele queria isso, não precisava mandar ela soletrar nada proparoxítono aquela noite.

Do outro lado da cidade, Valéria ligou para um ex. Daqueles que toda mulher mantêm para horas de carência. Disponível, encontraram-se no centro da cidade para uma noite de carinhos e sexo por vontade. Ela estaria vingada. Não importa se ficara o tempo todo dizendo ao ex que queria que Daniel fosse assim. Fizesse assim. Falasse assim. O importante é que ela fez. Amor a noite inteira, do jeito que queria. Nessas horas o ex (que não era lá tão bom assim no passado) vira o melhor homem da sua vida. E no final, ela não se arrependia de nada. Entra no carro, ouve aquela música, solta umas lágrimas, não pelo que fez, mas pelo que não tinha. Amanhã seria outro dia.

Daniel não se aguentava mais, levou a moça para um motel barato na Zona Norte. Em 5minutos de um banho rápido, já estavam na missa. Mulher gostosa é assim. Sem perder tempo. Olhou para o kit no banho, vinha uma necessarie, Valéria adorava necessaries. Claro que ele não poderia levar a lembrança. Deu uma amolecida de 3 segundos e logo focou na gostosa. Ela nem havia olhado a necessarie. Mulheres! Uma, e a segunda já não ia mais... Deu um tempo, pediu uma cerveja. Outra. E o sono chegou. Sexo sim, dormir não, hora de ir embora. Dormir junto seria traição demais. Valéria era chata mas não tanto. Deixou a mulher em casa, morava longe a gostosa. Voltou pra casa cansado, estava vingado. Amanhã seria outro dia.

No outro dia, Valéria e Daniel combinaram um lanche no jantar, naquele lugar de sempre. O lanche de sempre. Valéria olhava pra ele com satisfação, mal sabia que ela era de outro. Por algumas horas, mas era. Daniel olhava pra ela como se fosse homem de verdade, auto afirmação, só ela reclamava, as outras não baby!

Comeram o lanche. - O bar com os amigos foi normalzinho ontem, amor. - Pois é, em casa ontem foi normalzinho, dormi mais cedo, amor. No final, abraçaram-se. Vontade de chorar? Não. Por que? Mas não sei, disseram-me que foi o melhor abraço da vida deles...

4 comentários:

  1. Que historinha mais melosa, isso sim! Huahuahahuahuahuahuahua!!!

    Zuandinho... a questão da traição é médio complexa demais para eu conseguir pensar agora, depois de escrever textos e textos sobre a comunicação de massa.

    Quero dormir

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  2. Esse blog continua foda. Desculpe meu vocabulário... mas é que adorei a história e não achei nada muito gentil pra descrever o que achei. Foda está bom?

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  3. Homens e mulheres? Vai enteder...
    Gostei da história.
    bjs

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