18 de fevereiro de 2009

Trote Universitário


Vejo essas reportagens sobre trotes nas universidades e me lembro de um dos únicos dias bacanas que tive na minha vida acadêmica. O primeiro dia, o dia do trote.

Confesso que não sou muito receptiva com pessoas desconhecidas, ainda mais há 9 anos (velha...). Cheguei a faculdade com receio de tudo que poderia acontecer, do futuro, das amizades, e ciente que dali pra frente tudo que eu fizesse teria consequências para vida toda. Tudo bem que, em um ano, essa consciência acabou e eu passei a voltar a ser eu mesma.

Logo na entrada, uma moça me perguntou se era 'bicho', disse que sim e ela estava na mesma sala que eu. Fizemos amizade, meio torta mas que durou os 5 anos. Logo na primeira aula, os 'veteranos' batiam na porta da sala de aula (trancada pelo professor carrasco, hoje diretor) gritando "Ixo ixo ixo, estudou virou bixo". Achei agressivamente bacana. Finalmente eu estava na faculdade e tudo aquilo era coisa de gente adulta e blablabla...

Quando invadiram a sala, pensei em fugir pelo canto, mas alguns veteranos do quinto ano (que 4 anos depois se tornaram meus chefes no estágio) escolheram as meninas, pintaram nossos rostos, cortaram algumas partes das nossas roupas e nos colocaram no carro. Tudo com nosso consentimento, entendo que com mulheres eles 'pegam mais leve'.

Todos os meninos tiveram seus cabelos cortados mas o clima era de muita risada e eu ainda não sabia o que ia acontecer, tentando ser simpática a todos por alí (acreditem isso é uma função difícil pra Cafeína). Nos levaram até uma encruzilhada onde pediríamos dinheiro nos faróis. Tudo bem, imploramos por dinheiro, dizíamos que os veteranos iam nos bater, tudo para exercitar a persuasão que seria tão necessária naquela carreira.

Consegui oitenta reais em uma hora. Pensei em largar a faculdade e me dedicar a pedir dinheiro na rua. Hoje sei que teria ganhado muito mais.

No final nos levaram a uma padaria onde tomamos sorvete e umas cervejas. Ainda nos deram carona até em casa. Sim, eu me diverti, sentia orgulho de ter entrado numa ótima faculdade.

Tudo isso, para dizer que, essa violência praticada em alguns trotes são inadimissíveis. Vi muita gente entrar em brincadeiras sem graças de beber até cair no meio da rua ou fazer lutinhas. Mas também vi muita gente com medo de ir pra faculdade no dia seguinte porque foi jurado ao ter se negado a alguma coisa.

Vi que estão tirando da gaveta o projeto de lei contra trotes o que é de uma bobagem sem tamanho. Violência, agressão, tudo isso já está devidamente previsto. O que falta é a aplicação dos conceitos legais e a denúncia. Muitos não denunciam por medo de frequentar o curso depois. Eu entendo porque nossa Justiça é capaz de penalizar o infrator com algumas cestas básicas e deixá-lo no mesmo curso do humilhado. Assim, nem eu teria coragem mesmo. Passar os próximos anos inseguro por causa de uma bobagem desta.

A universidade deve punir com a expulsão e que o mesmo não possa mais voltar nem pelo vestibular. O que acontece é que, infelizmente, uma pessoa violenta será sempre uma ameaça mesmo fora dalí. E quando nossa Justiça vai proteger o calouro? Como? Por isso a maioria não denuncia, não é por falta de lei, é por falta de execução.

7 comentários:

  1. no meu dia de "bixo" não arrecadei nem um real, mas cervejas apareceram milagrosamente
    amém

    ResponderExcluir
  2. Eu fiquei tão orgulhoso na minha época (velho...) que eu mesmo raspei a cabeça.
    Hoje, não sei o que comentar.
    Beijão do amigão!

    ResponderExcluir
  3. Putz excelente idéia, rapar a cabeça, se pintar e ir pra farol pedir dinheiro. Será que cola?

    ResponderExcluir
  4. Comigo não cola: eu não dou dinheiro a calouro. A caloura, se ela for ajeitadinha e fizer beicinho, ganha umas moedinhas, hauhauhauh.

    ResponderExcluir
  5. Rituais d Passagens:
    ao menos neste aspecto (não humilhemos em demasia a civilização ocidental)
    Os selvagens são mais "civilizados" e na prática tem mais tutano q os civilizados ou seus colegas aculturados. Afinal nas ditas sociedades primitivas ninguém morre qdo é reprovado em algum ritual d passagem, aliás raramente são reprovados. Tdo é mto bem pensado, apesar das aparências...
    Não é coisa d amador como são os trotes civilizados d nossos universitários, "elite intelectuarr", futuros dirigentes e técnicos à gerir a nação (como diria R.Avalone: "meeeu deus_exclamação Kkkkk tremo só d pensar.)

    Qto à
    Justiça?
    Proteção?
    Exceções q deveriam (ah, o ideal...) ser protegidas por toda a sociedade à parte; via d regra todo ser humano à partir d determinada idade deveria saber (como os indiosinhos desde seus 5 anos na selva d verdade) se defender na Selva d Pedra.

    Abdicar do direito ou melhor do Dever individual d defesa, assim como do d vingança, esperando proteção do judiciário, da polícia e, em alguns casos intervenção divina, me desculpe é meio acreditar num papai noel, oficiais mas papais noel...

    Na maior parte do mundo as pessoas estão aprendendo isso. Na marra, como sempre... mas estão.

    ResponderExcluir
  6. Quando eu entrei no Mackenzie, eu pedi dinheiro no farol tb. Foi divertido, super sussa, eles não pintavam a cara de quem não queria, nem bateram em ninguém [até onde eu enxerguei], não obrigaram ninguém a beber. Foi uma coisa sussa, tipo celebrando mesmo uma passagem da sua vida.

    Essas coisas que acontecem não se pode chamar de trote. Aliás, não se pode chamar isso daí de gente. São selvagens, pessoas que não têm a mínima noção de cidadania. E que, por vezes, me fazem ter vergonha de ser universitária.

    ResponderExcluir
  7. o meu trote foi maravilhoso.
    cheguei no primeiro dia de aula na FMU, a profde pesquisa cientifica, estav explicando as regras de prova, qndo o centro academico do meu curso chegou. Quando encerrou o primeiro horario 2 entraram na sala e fecharam a porta, se apresentaram e fizera a gente se apresentar, depois a gente saiu todos de mão dadas, sendo chamado de BIXOS E BIXETES pelos nossos veteranos, lá fora nos colocaram num paredeão, nos pintaram todos, jogaram café, farinha de trigo, espuma artificial e ai vai coisa. Depois elefantinho por qse toda liberdade, ai depois foi i farol, consegui 15 reais, e depois os veteranos ainda pagaram verveja pra noiz, as bixetes foram leiloadas, me leiloaram por 0,10 centavos, segundo maior lote kkkk.
    Resumindo tudo foi muitooo bom, vou lembrar sempre e aind vou contar no dia da formatura.
    E meus bixos se preparem no segundo semestre para o BIOTERRORISMO (Biomedicina apoia o bioterrorismo com os bixos)...
    Todos devem participar...
    fuiz...

    ResponderExcluir

Senta aí, aceita um café e comenta o que achou. A política dos comentários é simples: Todos aceitos salvo caso fortuito ou força maior, isto é, minha vontade. Caso prefira, temos também nosso link para CONTATO lá em cima.
;-)

Seguidores