1 de abril de 2009

Direto do Tunel do Tempo

Há algumas semanas, recebi uma mensagem no Orkut de um professor de português que tive no ginásio. Sim, ninfetos, eu sou da época do ginásio.

Confesso que foi assustadoramente emocionante. Este professor foi meu favorito pela vida toda. Não teve faculdade, curso de extensão, pós, colegial, curso de culinária, ou qualquer coisa que tenha feito com professor melhor. E a partir daí, aquela turma do longínquo ano de 1996 tem se organizado para um encontro.

Um a um fui revendo por e-mail e orkut esses amigos que tanto convivi naqueles tempos. A grande maioria já casados e com filhos, alguns morando fora da cidade, do estado e até do país. Confesso que pensei em não ir neste encontro. Não sei lidar bem com minhas frustrações presentes e isso poderia me causar mais mal do que bem.

No entanto, relendo mensagens vejo que sinto tanta saudade daquela época, que eu devo a mim mesma rever aqueles personagens de uma história que, hoje, parece mais fantasia do que realidade.

Com quatorze anos eu era outra pessoa. Tinha sonhos, esperanças, e uma certeza arrogante que tudo seria muito bom no futuro. Era esportista e muito corajosa. Ria com uma facilidade invejante. Era inteligente e sabia disso. Aproveitava cada evento e encontro. Tinha dias de depressão profunda mas que compensavam depois com dias de alegrias intensas. Amava desesperadamente num dia, e odiava no outro. Ouvia Legião e Nirvana. Guns n´Roses era rock pesado e lindo. Viajava com Pink Floyd e chorava ao ouvir Beatriz na voz do Milton Nascimento. Dizia que minha filha se chamaria Beatriz por causa da música. Depois idolatrei Elis e queria ser ela. Só ia no cinema em turma, almoçava um lanche na padaria como se fosse uma grande aventura gastronômica. Usava roupas coloridas, calças apertadas, calças baggy, e bastava um batom para me sentir linda. Namorava um adulto de 18 anos que sabia dançar todos os passos na matinê de domingo (e parece que não evolui muito porque com 25 eu namorava um de 20), eu sabia o que queria. Seria advogada porque é status e as roupas são chiques. Casaria com um homem divertidíssimo e viajaríamos para Italia na lua-de-mel. Roma, Veneza, Milão. Depois mudei para Viena, porque meu filme predileto se passa lá...

O dobro de anos depois, cá estou, lendo e-mails compulsivamente e vendo ser organizado um encontro entre as pessoas que só me conheceram nesta época. E com certeza, não foi só eu quem mudou, mas sempre é amargo o gosto de algumas mudanças. E esta, deixou um palador de jiló com limão...

8 comentários:

  1. Já parou para pensar que por mais que planejemos coisas e mais coisas, poucas delas saem como esperado?

    Eu tinha planos, idéias e ideais. Hoje tenho outros, que me agradam mais dos que já tive.

    Já parou pra pensar que talvez as mudanças da SUA vida, foram as mais interessantes, e melhores, da sua sala?

    Vai, se divirta e veja como as coisas mudam para todo mundo.

    Bjo.

    ResponderExcluir
  2. Concordo com o DREAD aqui em cima, se presenteie com a chance de perceber que as mudanças ocorridas sairam-se melhor do que o esperado.

    Afinal, planos todos nós fazemos e continuaremos a fazer, indepentemente do resultado, então, por que, não faz desse reencontro um novo plano para você ?

    ResponderExcluir
  3. Olá Nicotina,
    Vendo vc lembrar de 1996 com 14 anos,me lembrei desse mesmo ano e das coisas que aconteceram nele...
    Qd tinha os mesmos 14 anos que vc,era 1988/89,e minha vida já ia tomando os contornos que não seria fácil...
    Sonhos?Todos temos...mas temos que ter muita disposição para correr atrás deles!
    Em 1996 eu estava grávida e fora abandonada pelo pai de minha filha...a tive sozinha!E já era mãe de outro com 3 anos!
    Se há algo na minha vida que eu mudaria?Não!
    Se o fizesse não seria a pessoa que me tornei,e com o amadurecimento vamos nos dando conta disso!
    Celebre ao máximo a vida que tem e não coloque esperanças demais no futuro,pois nem sempre ele vem!É assim que vivo meus dias atualmente!
    Quem sabe assim vc consiga ter de volta os sonhos que tinha aos 14?
    Um beijo
    Afrodite

    ResponderExcluir
  4. Puxa, minha vida era uma merda naquela época, e não mudou muito até hoje.

    ResponderExcluir
  5. Hummmm
    Dependendo d como encararmos as coisas, como diria a música "não escapa um(a)"

    Bares sempre farão sucesso.

    ResponderExcluir
  6. Eu fui num encontro desse naipe com as amigas do colégio, ou seja, deixamos de conviver aos 17 anos. Nem faz tanto tempo [oito anos se passaram]...

    E eu sei exatamente como vc se sente. Pq as meninas, ou estão casadas, ou na PÓS-GRADUAÇÃO [e eu no segundo ano da faculdade]... enfim, todas com empregos invejáveis, realizadas e felizes.

    Eu to feliz? Não sei. Mas é bom ver que, pelo menos, eu cresci. Isso não posso negar.

    ResponderExcluir
  7. Se tivesse que encarar o meu passado na forma de alguma turma do colegial certamente seria interessante.Mais pelo fato de que desta vez timidez não teria vez. =D

    ResponderExcluir
  8. Outro texto que eu curti.
    Lembrei que dias atrás eu tentei reencontrar uma turma, mas não deu certo... E quando a gente reencontra uma turma de outros tempos, parece que apesar das mudanças muita coisa fica igual. Eu gosto de mudanças, mudo sempre, mas há coisas que seria bom se não mudassem... alguns amigos, alguns tempos...Deviam ser como sempre.

    Trê-lê-lês à parte Bj.
    Inté!

    ResponderExcluir

Senta aí, aceita um café e comenta o que achou. A política dos comentários é simples: Todos aceitos salvo caso fortuito ou força maior, isto é, minha vontade. Caso prefira, temos também nosso link para CONTATO lá em cima.
;-)

Seguidores