30 de julho de 2009

Um dia de conto de fadas


Era uma vez uma moça chamada Eu. Eu era uma mulher experiente que vivia em dúvida sobre seus gostos profissionais e dedicava-se à busca da batida perfeita. Eu estudou bastante, completou seu curso superior, fez estágios em lugares da moda, comprou roupas para desfilar na avenida do centro financeiro da cidade e aprendeu a usar salto alto como se fosse chinelo. Eu tinha sua turminha de amigos divertidos, sua familia estabilizada e seu salário mensal satisfatório.

No entanto, Eu estava entediada. Precisava de amor e aventura na sua vidinha. Para isso, Eu largou mão de tudo que tinha para viver solteira e sozinha no grande centro. Eu participou de muitas festas, viajou para o litoral e encontrou amores problemáticos. Eu percebeu que a batida perfeita tinha sido aquela que custou mais de mil cruzeiros no seu carro. Desistiu da busca, num trauma de amores e aventuras, voltando para seu eu e repensando sua existência neste mundinho de meu deus.

Até que um dia, Eu estava carente e após alguns goles de substâncias alcoolicas resolveu perder alguns minutos ouvindo aquele mocinho de voz mansa e olhos celestiais. Eu não lembrava muito o que diziam aquelas palavras mas a sensação era de calma e conforto. Mas Eu não contava com a astúcia daquele moço de voz mansa, que não se sabe em qual minuto agarrou Eu contra a parede e implorou por uma noite de amor... por 5 segundos Eu estava confusa até que ouviu uma confissão do moço que o alcool não conseguiu filtrar:

- Eu, pelamordedeus, me salva!!!!
- Hm? Salvar do que, moço?
- Transa comigo essa noite senão vou cair em tentação e dar para o seu amigo viado alí na sala!
- Oi?

Neste momento, Eu estava sóbria e paralítica. Não. Eu estava tetraplégica. O moço pedia que Eu o salvasse da tentação da pederastia. Eu surtou num ataque espumante de baixa auto-estima e correu para o quarto, trancando-se da tentação de transar com um moço só para salvá-lo da inevitável curiosidade humana. Trinta minutos depois, Eu ouviu do outro lado da parede o moço caindo em tentação com seu amigo gay. Até hoje o moço não fala no assunto com Eu, mas Eu sabe que essa ainda não era a batida perfeita. Eu queria alguém mas essa ainda não era a sua Dubai.

12 comentários:

  1. Huahuahuah, bem, Eu achei esse texto excelente.

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  2. Nossa, fui envolvido por essa criatividade. Fantástico.

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  3. Caridade sexual é out.

    Rs

    Beijo,

    ℓυηα

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Eu não teria nenhum problema em fazer essa "caridade" à alguma amiga q estivesse tentada por alguma lésbica tb muuy amiga rs...

    Só ficaria na dúvida se a empurraria p/a tentação antes ou durante o "ato de caridade" Huahuahuahuahua

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  6. Você desculpa aí, mas EURI! ahuhauhauhauhauhauhuahuahuahuahua!

    Ah, tem mais, isso tá me parecendo aquelas histórias que eu conto, que aconteceu com um amigo Eu.

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  7. Nossa... lendo o começo, me imaginei na garagem do edificio da avenida do centro financeiro, passando por debaixo da catraca e sentada naquele quadrado minusculo com um maço de cigarro (já q descer só pra fumar UM cigarro, não me satisfazia, já q o assunto só começara em 5 min). Bom lembrar daqueles dias... Hj em dia q a gente pode fumar um pacote inteiro, não conseguimos nos encontrar pra botar a fofoca em dia! Espero q isso aconteça antes do natal chegar! rs...

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  8. Eu li no dia que você postou e fiquei pensando... não soube o que comentar... se eu te disser que não achei graça, acredita em mim?
    O texto é ótimo, claro, mas não se trata da qualidade do texto.
    Eu senti a aflição.
    Eu senti a rejeição.
    Exagerada eu?
    Pode ser... mas senti e doeu como se fosse em mim, como se eu tivesse sendo usada como "bengala" e preterida...!
    Parabéns, moça! rsrs

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