20 de novembro de 2009

Bom dia, Dia.

Aí que eu acordo e o radialista está discutindo sobre as decisões do Governo sobre alguma coisa que eu já me cansei de entender. Da minha janela, sem cortinas, a claridade invade o quarto pequeno sem ser convidada. Ouço alguma voz no rádio dizer que está um lindo dia lá fora e tenho um impulso de me cobrir com o edredom azul. O calor me irrita e viro pro outro lado onde você deveria estar. No seu lugar, dois travesseiros com a fronha saindo pela metade ocupam quase a cama inteira. Tenho três segundos de raiva, depois cinco minutos de ternura abraçada a eles. Sem você, pensei em comprar mais uns dois ou três deles. Quem sabe assim, ocupem um pouco mais o vazio que você deixou. Insatisfeita, aperto bem forte e sinto que eles não têm o seu cheiro, não tem a sua voz e as fronhas de longe parecem sua pele. Malditas fronhas. Onde compro fronhas que simulem seu toque? Quanto custa? Juro, eu me venderia para poder comprá-las.

Aí que decido levantar mesmo já que sua ausência já era tão grande naquele quarto que roubou todo o ar e fez daquele cômodo uma sauna. Lembrei da voz do rádio, o dia estava lindo lá fora. Não poderia ser diferente, você estava lá fora e não aqui. Aqui dentro o dia sufocava, barulhento e com cheiro de fronha. Lavo o rosto, ligo a máquina e passo um café. Bom dia Dia. O que espera que eu faça agora? Vá até a varanda e bata palmas para o céu azul e as nuvens em formas de ursinhos? Deixo meu sarcasmo para as cortinas da varanda, ligo o abajur e como um mantra repito que aqui dentro, quem faz do dia nossa noite sou eu. Com a caneca nas mãos olho para o tapete vermelho e relembro quando você apertava minha mão e ria. Não sei se minhas mãos são engraçadas mas quase engasguei com este café agora e comecei a rir também. E daquele riso alto muitas lágrimas intrusas começaram a cair. Mas que inferno, eu não estou triste! Estou há milhas distante daqueles dias de depressão. Justo nas lembranças dos momentos mais felizes eu não me contento em rir, sempre choro junto. Mas que droga, que merda, que ódio, que frágil, que feminino nojento isso. E rindo chorando eu falava ao sofá, às almofadas e ao porta-revista o quanto é difícil não saber lidar com a felicidade. Porque estar triste é fácil meu irmão! Você chora, ouve Maysa, bebe um vinho e resolve que o mundo está contra você. Mas estar feliz, amigo... Estar feliz é a coisa mais difícil do mundo. Momentos de felidades são para os insensíveis. Para quem tem o mínimo de sensiblidade chega a machucar, chega a faltar fôlego, faltar jeito, faltam palavras e gestos, faltam mãos e dedos. Quando você está no dia mais feliz da sua vida não tem o que fazer. Vai parar o tempo? Vai tirar uma foto pra guardar e ver no inverno? Vai tentar engarrafar a sensação? Não. Vai guardar na lembrança. Porque não tem como segurar. E quando você busca lá no cantinho da memória o que você faz com toda a felicidade? Ri. Ri e chora. Ri por saber que uma vez na vida soube o que é estar feliz de verdade. Chora porque queria mais e não sabe aonde buscar. Chora porque depois de um inverno tão rigoroso você perdeu a mão e não sabe o que fazer quando está feliz. E fica se culpando: Por que raios eu não aproveitei mais aquele momento?

Aí o café já esfriou na minha caneca e o dia está lindo lá fora. E saio na varanda com aquele sorriso tonto de quem está chorando e não quer chorar, vejo o céu azul e as nuvens em forma de ursinhos e tímida digo sozinha ali no canto, em voz alta: Continuem lindos por hoje porque ele está com vocês. E volto pra dentro, fecho as cortinas, abraço o travesseiro e sinto o cheiro da sua pele naquela fronha por três segundos, de onde você nunca devia ter saído.

10 comentários:

  1. Mas pensa bem,se há travesseiros e cheiro de pele é porque ontem a noite deve ter sido boa, né?

    Bom feriado meninas!

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  2. Momento Markão, o "insensível" d Auto-ajuda Kkkk

    Seguinte;
    Paf Paf Paf
    Respira fundo e repete comigo

    "Aoooommmmmmmmm Aooooommmm esses pensamentos e sentimentos podem até ser legais como arte mas não são eu, passam por mim c/fortes descargas químicas mas não vou dar atenção q eles exigem d mim, Vão si fudê carai, vcs e minha mente lado esquerdo cerebral tagarelas Aoommmmm" rs

    Claro q à essa altura já pode tá tdo dominado, principalmente se eles dão uma embriaguês, 1 barato ir-re-sis-tí-verrrrr-mente chic d intelectual perturbado, ó meus sais rs

    Eu disse q era insensível...
    Ah, a felicidade http://www.youtube.com/watch?v=KLE4U4GwHW0&feature=related

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Mas q mané medicamento Ô anônimo, é cada imbecil q aparece viu, era o q faltava eu hein, vá d retro rs

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  5. Que post lindo, Cafézinha!

    Beijos e sucesso!!!

    ATENÇÃO, MEU BLOG É: http://www.sabrinamix.com

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  6. Ainmmm amiga.... Pára de falar de mim tá? rsrsrs É assim mesmo né?... Eu tambem cheiro os travesseiros, tento eternizar a sensação de te-lo por perto... E com certeza as nuvens que eu vejo tem o formato de ... Ursinhos!!!!!
    E aí?... Está pensando na possibilidade de passar o fim de ano aqui no Rio?.... O apê aqui é que nem coração de mãe: cabe todo mundo...
    beijo procê lindona!!!!
    Pat

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  7. ownnnn... coisa mais linda de ler e sentir...

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  8. Depois de um texto como esse até faltam as palavras. Mas vou tentar.

    Linda forma de traduzir o que sentem aqueles que não têm o que dariam a vida para ter.
    É engraçado pensar em como O OUTRO é importante - senão essencial - para nós mesmos. Mas não um outro qualquer. AQUELE OUTRO!

    Um grande beijo. Quero mais desses textos =D

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