17 de abril de 2010

A Chave - Eu, meus medos e meus quase trinta…


Hoje é sábado e dia da coluna A Chave. Recebemos de presente um dos ótimos textos da minha amiga Kienaste do blog "Amém, Gente" super bem recomendado! Obrigada Kie e o blog está sempre aberto pra você querida! Beijo grande.

Eu, meus medos e meus quase trinta…

Diante da proximidade dos meus trinta anos, acho que cabe uma comparação, afinal de contas aniversário tem a ver com nascimento e fazer trinta anos tem tudo a ver com a morte. De acordo com um certo episódio de Grey’s Anatomy, quando estamos morrendo ou sofremos uma perda catastrófica, passamos pelos cinco estágios de dor.

Passamos pela negação. Porque a perda é tão inconcebível que não acreditamos nela (perdi minha juventude e agora?). Ficamos bravos com todo mundo (os mais jovens, principalmente), bravos com os sobreviventes (os que disfarçam as rugas com botox, os que malham e se livram das pelancas), bravos conosco (que não temos coragem de malhar), então barganhamos. Nós suplicamos, imploramos, oferecemos tudo o que temos (no meu caso não é muito, mas é de coração), oferecemos nossas almas (pois ela é imortal e não despenca como nosso corpo) em troca de apenas mais um dia (ou quem sabe mais alguns anos).

Quando a negociação falha e a raiva é demais para persistir, ficamos deprimidos, desesperados, até que finalmente aceitamos que todo o possível foi feito (ginástica, botox, drenagem linfática, vela de sete dias, promessa), e desistimos. Desistimos e tentamos aceitar (apagando as 30 velhinhas, se nos resta fôlego para tanto).

Aí surge aquela necessidade estúpida de fazer uma reflexão da nossa vida. Um apanhado consciente de nossos erros e acertos. O que fizemos da vida? Quanto tempo ainda nos resta? Quanto falta até um casamento? Haverá casamento algum dia? É hora de consultar os astros ou o cirurgião plástico?

Parece que foi ontem que eu estava por aqui, escrevendo sobre a proximidade dos meus vinte e oito anos. Dormi, acordei e cá estou eu apavorada com a possibilidade dos vinte e nove, beirando os trinta. Como se não bastasse a proximidade da idade e aquela fase horrenda chamada de inferno astral eu estou na TPM e isso me leva a crer que estamos de posse de um problema de proporções desconhecidas.

Onde me falta paciência, me sobram quilos. Sim, engordei três quilos nos últimos dois meses e pior, ainda sinto fome. Peçam para que eu controle a alimentação e verão surgir o Anticristo na terra. Sem o apoio de Mestre Shifu, me sinto fraca para resistir aos apelos de meu estômago. Nosso Mestre abandonou o convívio em busca de sua espiritualidade, mas não me preparou para sua ausência e todos os momentos difíceis que eu haveria de enfrentar. Ás vezes me pergunto o que ele diria diante de meus mais profundos dilemas.

Devo comer mais esta coxinha?

“Só se você prometer vomitar depois, gorda do inferno” – Seriam suas palavras inspiradoras.

Às vezes penso que estou louca, pois volta e meia penso ouvir sussurros advindos das prateleiras do supermercado. Não no Hortifruti porque o pessoal lá não socializa, mas sim, das prateleiras de biscoitos, salgadinhos e doces. A verdade é que parece que todos em campanha, tentando me convencer que são a minha melhor opção. O requeijão cremoso parece travar uma batalha de morte com a ricota fresca, a linhaça é o fel de uma existência lúgubre e solitária e eu sempre, sempre acabo culpada, após sucumbir aos encantos daquele pote de doce de leite caseiro sem coração.

Algo me diz que dada a quantidade de açúcar que circula em meu sangue, não é de se admirar que eu fale tanto ou não consiga ter uma noite tranqüila de sono. Outro dia, o desespero da idade foi tamanho que por não lembrar o que sonhara durante a noite, acordei com medo de já estar com alzheimer.

Aqueles que buscavam uma leitura bem humorada que me desculpem. Seja pelo desespero da idade, pelo medo das rugas ou pela falta de colágeno, ando um pouco triste nesses últimos dias. Prometo que vai passar. Na falta de Mestre Shifu, solicitei à Mãe Kiki que consulte os astros e afaste esta nuvem de melancolia que estacionou sobre a minha cabeça. Implorei que olhasse nos búzios, nas cartas, ou na puta-que-lhe-pariu, quando eu irei passar da fase da melancolia para a fase da agressividade, onde eu poderei descarregar toda a minha irritação de uma vez por todas. Afinal de contas há cinco estágios de dor. Eles são diferentes para cada um, mas são sempre cinco: negação, raiva, negociação, depressão, aceitação.

Um comentário:

  1. Ó Cafê, vou ser sincero: a tpm da Kineaste deve ser foda demais. Só assim pra entender esse texto. Senão imagina o que ela vai escrever quando estiver perto dos 40...

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