27 de abril de 2010

Complicado e Perfeitinho

Eu entrei na faculdade aos 17 anos. Era uma criança cheia de sonhos. Namorava um moço perfeitinho que tinha uma familia complicadinha. Aliança de prata na mão e preocupações normais de quem estava começando tudo. Quando toda essa perfeição complicadinha acabou eu já estava com 18 anos e no segundo ano da faculdade. Passei pela fase do desespero adolescente de quem já tinha se acostumado com alguém segurando seu saco pra onde quer que você vá e agora tinha que arrastá-lo sozinha. Surtei por alguns meses a procura de outro perfeitinho. Busquei, exagerei e implorei. Até que conheci Marcelo. 

Marcelo atendia pelo apelido de "Lazinho" e até hoje não sei porque. Mas Lazinho parecia ideal! Na casa dos 22 anos (um adulto já) formando em Engenharia de Software (o must da época) e estagiário de uma multi-nacional. Ele falava bem e era alfabetizado. Tinha o cabelo estilo "colírio da Capricho" e dentes tortos. Claro que no primeiro encontro eu já imaginei que isso era perfeito. Combinamos de nos encontrar no estacionamento de um shopping da cidade e passamos todos os minutos do encontro dentro do carro. Carro dele! Era a primeira vez que eu saía com um moço que tinha carro e dirigia. E foi uma das únicas, afinal desde então, eu que sempre cumpri este papel na relação. Marcelo pegava na minha mão quando parava num semáforo. Contava do seu trabalho na grande empresa e eu me derretia toda por não entender nada. Se eu não entendo é porque é difícil. Se é difícil é porque ele é inteligente. Pronto, perfeitinho

Em uma semana me apaixonei perdidamente pelo rapaz. Ele era o cara certo para substituir meu ex e satisfazer meus pais. Já no primeiro encontro ele era só elogios comigo. Eu devia lá ter minhas qualidades também. Já no segundo encontro ele era só carinhos e declarações. Ele dizia que tinha encontrado a pessoa certa. Isso, EU era a pessoa certa! Em 20 dias já estávamos no ponto de papear com a sogra por telefone e ter meu nome conhecido pelo sogro. Combinamos um cinema, nem me lembro o filme, foi perfeito. Almoçávamos juntos afinal ele trabalhava perto. Ele me enviava diariamente e-mails com "te amo" logo pela manhã. Tudo isso em 30 dias. Tudo perfeitinho e eu já até esperava a aliança.

Até que chegou o aniversário dele. Eu nunca tinha dado presentes caros ou apelativos ou bregas para rapaz algum. Achava mulherzinha demais isso. Mas com Lazinho eu tomei coragem e preparei o melhor: uma cesta de café da manhã completa. Devo ter gastado mais de 100 reais com isso. Até bule e caneca tinha lá dentro. Contei para a senhora que iria entregar o presente que eu precisava segurar o rapaz, afinal ele era perfeitinho. E ela suspirou no auge dos seus 60 anos, solteira. Entregou a cesta e me ligou em seguida "ele recebeu a cesta junto com a mãe dele, parece que adoraram!". Passei o dia na expectativa "que horas ele vai me ligar?""vai querer passar o aniversário dele comigo?" "será que agradei a mãe dele?"...

Passou um dia... Outro dia... Resolvi ligar, será que aconteceu alguma coisa? Ninguém atendia. Passou uma semana. Enviei e-mails, icq, celular... Nada, será que aconteceu alguma coisa? Um mês depois alguém atendeu na casa dele, era a mãe do Lazinho que, meio tensa, dizia que com pesar sentiu-se na obrigação de me informar que Lazinho estava namorando uma colega de trabalho. E nunca mais vi nem ouvi falar do 'perfeitinho'. E nem acreditei mais nisso.

Ué, esperavam o que? Essa é minha vida...

10 comentários:

  1. Eu pensando certo dia como certos episódios nas nossas vidas se passam de trágicos a cômicos com o passar do anos.

    =P

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  2. Perai que porra é esse?
    O cara é loko? Sumiu?
    Nossa que cara escroto aff, eu to ate nervosa kkkkkkkkkkkk.
    bjaum

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  3. Pô, Cafê! Atendendo por "Lazinho" e vc não desconfiou? :P

    "Loserzinho"

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  4. E eu lendo e torcendo. Pena que não deu, e pena que a maioria prefere princípes do que sapos.

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  5. Quando a esmola é demais, até o santo desconfia.

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  6. Será que você não se cansaria de tanta perfeição?

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  7. Quando conheci o primeiro perfeitinho, eu achei que era "too much". Os mais rebeldes me atraíam mais. Depois, encontrei definitivamente a perfeição em pessoa. A gente se dava tão bem, que dava até medo... até que um dia, ele me deixou, como quem esquece uma blusa velha num lugar qualquer.... e agora, me casei com o sapo mesmo. A falta da perfeição irrita, mas, ninguém pode falar que me casei enganada!

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  8. ui Soraya...

    Perfeitinhos não existem, nós que inventamos isso. Mas... casou com o sapo é? Hm... coisa pra série "Não sou feliz mas tenho marido" rs.

    adoro ler depoimentos por aqui, me dão ótimas idéias!

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  9. Mhauhauahuah
    O comentário da Soraya (e a sua réplica) me tirou até a atenção do que eu ia comentar.

    Anyways, é assim mesmo, querida Café, se é perfeitinho, pode ter certeza de que os defeitos estão muito bem guardados.
    No mais, perfeição demais enjoa, né não?

    =*

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