16 de abril de 2010

Dia Mundial da Voz


Descobri este ano que hoje 'comemora-se' o dia mundial da voz. Alguns aqui já sabem que eu sou uma cantora frustrada e sempre gostei de música, de boas vozes e comunicação. Sou uma ouvinte diária de rádio AM e admiradora de vozes antigas que infelizmente já não ecoam mais. Hoje ouço muito a rádio Bandeirantes AM e suas vozes inconfundíveis.

Música? São tantas vozes... desde Pavarotti (um mito) até Paul Stanley por que não?. Sou uma consumidora de música que remete a épocas que nem vivi como Billie Holiday, Edith Piaf , Maysa e Elis.

Tudo isso porque este dia me fez lembrar meu primeiro amor musical. Eu tinha 16 anos e já fazia curso de inglês desde os 10. Felipe também. Trocávamos letras de musicas bregas e bilhetinhos de 'cantadas' durante a aula. Até bem pouco tempo eu guardava um destes bilhetes escrito "Baby, let's fool around"... Tudo bem adolescentemente over. 

Felipe fazia aula de canto desde criança e sonhava ser cantor profissional. Na época, formou dupla sertaneja (augh, eu sei) com um amigo e fazia pequenos shows pela cidade. Ele, desde criança, já era um artista pronto: boa voz, boa aparência e canalha com as meninas. Namorava todo mundo e colecionava menininhas apaixonadas por seus bilhetinhos fora de moda. Eu era uma delas. Com a diferença que sempre me fiz de difícil porque, sabe-se lá como, eu já tinha aprendido que com tipos como Felipe era assim que se conquistava. E assim foi, meses e anos depois dessas brincadeirinhas tolas concordei em beijá-lo mas com a condição que fosse para namorar. Para meu espanto inocente ele aceitou! Namoramos péssimos 3 meses, éramos o casal da escola de inglês, eu já dava aulas de inglês e ele me ajudava nas aulas de canto. Até eu descobrir que obviamente tinha virado só mais uma das namoradas do Felipe. E como boa adolescente leonina fiquei péssimas por eternos 6 ou 7 dias, até encontrar Adriano e começar tudo de novo. 

Há 2 semanas, dez anos depois, revi Felipe no shopping. Ele carregava um violão nas costas e uns 35 quilos a mais na região da barriga. Virou um jovem senhor quase careca e gordinho de 30 anos. Na escada rolante ele me encarou por eternos segundos. E eu fingi não reconhece-lo, sabe-se lá por quê. Pelo orkut confirmei que ele está casado, com uma filha, ainda tem a tal dupla sertaneja (augh, eu sei), faz shows e está feliz. E eu recuperei um texto que deixo aqui publicado (peço desculpa pela pieguice e rimas pobres infantis), escrito naquela época de chifres sofredores, para a voz que me ensinou a cantar.

Música que tão bem
Canta meus pensamentos
Encontre as notas certas
Que expressem meus sentimentos.
Diga a ele que preciso deste amor.
Peça que volte para minha vida
Conte que não agüentarei mais esta dor
E que sem ele estarei  perdida.
Música que sempre nos uniu,
Mostre a ele que sempre me amou,
Não deixe o tempo apagar essa paixão,
Não diga que ele também me deixou...

Volte e mostre como estou vivendo
É impossível que ele tenha me esquecido
Cante com todas as letras meu sofrimento
Eu não posso ter te perdido...
 Música, se mesmo assim ele não voltar,
Vou tentar sobreviver na solidão,
Estou desistindo de te amar,
Mas nunca vou esquecer desta paixão.

Nov.1998

4 comentários:

  1. kkkkk, eu acho que certas tragédias se tornam cômicas com o passar do tempo. Veja só lado positivo, hoje você podia estar casada com um cantor de dupla sertaneja, provavelmente fazendo aqueles "uuuuuu" e 'aaaaaa' do backing vocal.

    ^^

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  2. Pra vc ver como o tempo muda tudo.

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  3. Ri muito com esse "augh, eu sei" rs.
    O tempo é uma coisa estranha. Ao mesmo tempo que faz a gente ter saudade, também faz a gente pensar "porra, eu já fui assim?!".

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  4. Eu adoro essas tuas histórias antigas, aliás, eu adoro boas histórias antigas. Adoro esses amores toscos que eram pra ser pra sempre, que na época foram tragédia, e hoje são a mais pura comédia.

    Já imaginou se hoje você fosse a feliz esposa de um gordinho, careca e cantor de dupla sertaneja? Meldels! Que uó, glamour zero.

    beijos, querida. E agradeça a Deus. =D

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