17 de junho de 2010

Como saber se ele vai me matar?

Não tem como saber.  Mas não desistam do post assim tão fácil rs.

Juro que tentei fazer um post com um pouco de humor mas não consegui. Essa semana, o país está chocado por mais um dos milhares de casos "namorado/marido matou/bateu/violentou mulher". O caso da Dra.Mércia ganhou a mídia mas existem milhares de outras por aí, diariamente. Eu tive a idade dela (23). Ela tinha a minha formação. Ela tinha a minha condição social. Ela sabia dos direitos dela. E sabia, com certeza, dos problemas do tal namorado Souza, principal suspeito. Não contou pra familia, o que é comum de quem está sendo ameaçada e com medo. Principalmente para alguém com o conhecimento que ela tinha, seria uma vergonha compactuar com ameaças e não reagir não é mesmo? Não sei. 
"Anos depois da conclusão do curso, Souza convidou Mércia para dividirem um escritório de advocacia e, após dois meses, estavam namorando. “Nos espantamos. A diferença entre eles é berrante, eu orientei que a fama dele não era boa”, afirma Cláudia e é completada pela mãe. “Mas ela quis e nós aceitamos. Abrimos as portas para ele”.
Segundo as duas, quando estava com ele “Mércia era outra pessoa”. “Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, diz Cláudia. Elas contam que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. Quando decidiu terminar definitivamente, em novembro de 2009, Mércia excluiu sua conta do site de relacionamento Orkut, trocou de e-mail, número de celular e até de escritório. Ainda assim, a família diz que ele sempre a procurava. Ameaças, porém, a mãe diz que nunca soube da filha ter sofrido. “Eu seria a primeira a ter feito um Boletim de Ocorrência”, afirma."
Durante a faculdade eu tive um interesse imenso na matéria de psicologia forense, matéria aliás que não fazia parte da grade curricular do curso de Direito, o que eu considero um grande erro. Infelizmente com o passar dos anos não me dediquei a este interesse e tive problemas para estagiar. Isso porque, por pouco tempo, prestei serviços jurídicos junto a prefeitura para atendimento de mulheres desesperadas em busca de ajuda. No auge da empolgação acadêmica acreditei que seria uma ótima oportunidade para orientá-las a chutar bundas de homens covardes. E óbvio, depois de algumas semanas, não foi bem assim. Eu tinha a orientação jurídica, o artigo do código e os protocolos, mais nada. Não tinha experiência de vida muito menos preparo emocional para entender o que aquelas mulheres estavam passando realmente. O atendimento jurídico por alí nada mais era que um atendimento psicológico. Muitas nem queria denunciar os namorados ou maridos. A grande maioria não queria ver o pai preso muito menos queriam que o homem soubesse que elas estavam ali. Eu não podia encher meu peito cheio de conceitos prontos e manda-las tomar coragem para chutar bundas masculinas. Eu sabia que elas mal teriam proteção do Estado durante o processo. Podia entender o medo delas e estava lá sem saber o que dizer. Tive medo junto com elas e nem preciso dizer que não aguentei a função na época.

Na minha vida pessoal tive um pequeno problema quanto a este assunto também. E eu, toda metida a entendida me rendi por alguns dias ao medo da ameaça. Violência psicológica também é crime e dos terríveis. De repente, você toda dona da verdade e cheia de argumentos se vê como uma mulher no atendimento público municipal pedindo por proteção mas se escondendo atrás da mesa. Mas isso foi rápido, eu tive sorte, eu tive amigos, eu fui a polícia e tive o desdém de "autoridades", eu recorri a contatos, eu criei coragem, eu criei juízo e tudo não passou de um sonho ruim. Sonho ruim que deixou aprendizado e algumas marcas na alma. E hoje, quase uma década depois de desistir do atendimento por puro despreparo emocional, anos depois de passar por experiências rápidas e complicadas eu acredito estar bem mais forte para tratar disso. 

Com exceção daqueles homens que não demonstram qualquer tipo de agressividade ou históricos criminais (os chamamos chave-de-cadeia) geralmente podemos perceber rapidamente com quem estamos lidando. Deixo claro que não sou psicóloga nem psiquiatra nem psicanalista nem alguma coisa psicoquevalha. Sei só da teoria jurídica e, diga-se de passagem, bem pouco pois nunca me dediquei a essa área. Mal me considero adequada a dar conselhos sobre este assunto. Mas digo, pesquise bem quem está ao seu lado antes de começar um relacionamento. Claro que é muito difícil conhecer bem uma pessoa sem conviver. Claro que existem casais que passam anos juntos e mal se conhecem. Claro que não é fácil. Mas já aconteceu? Então respire fundo e não se deixe escravizar pelo medo, na maioria dos casos são homens bundões e covardes ladrando, na aposta que você estará sempre por perto e vulnerável. O silêncio te fará refém e talvez uma possível vítima. 

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Artigos sobre o tema:

6 comentários:

  1. A verdade é que não dá pra saber que um homem fará isso com a mulher, apenas olhando para eles. Normalmente, eles se fazem de todo educado perto dos outros, têm duas caras! A mulher não pode ficar achando que ninguém acreditará nela e que se ela contar as coisas vão piorar. Muito pelo contrário, assim que receber a primeira ameaça, deve imediatamente contar a seus familiares e as autoridades. Quanto mais pessoas estiverem do seu lado, mais difícil será ele fazer algo.

    Mulheres, tomem atitude! Ficar parando chorando não resolve nada. Tem que agir contra esses imbecis!!

    Ótimo post! Bjos..

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  2. Até entendo quando a mulher depende financeiramente do cara, qdo falta instrução e coisas similares. Agora, se uma "Doutora" passa por isso, não tem minha simpatia não.

    Qualquer animal, por mais idiota q seja, qdo acuado, ou foge ou ataca. Se fica parado, Darwin ganha.

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  3. As pessoas no fundo atraem e mantém o q querem, independente do q o lado consciente achar, afinal, "Qdo 1 não quer"... e isto, já devia ter ficado claro, independente do grau d cultura e posição financeira das vítimas e carrascos. Aliás é mais comum em círculos sociais mais “elevados” q tais comportamentos não venha à conhecimento público.

    Por isso tb, discordo em parte do Andarilho, no tocante à dependência financeira ou falta d cultura por parte dos envolvidos. Isso é conversa mole.
    Cansei d ver na vida mulheres incultas e s/qualificação ou experiência profissional cortarem d 1ª ou o q é mais comum, jamais deixarem a situação chegar a tal ponto. Aliás, são a maioria né...

    Como diria uma diarista q conheci q "brincava" olhando na cara do marido; "Ele q não 'seje' (sic) besta d partir pra inguinorança cumigu seu Marko, pq num vô sê tonta igual à minha prima não, q 'só' largou mão do Demerval e inda foi procurá as otoridadi. A ha, eu? Ele q fique espertu, q sabecomoéné, e-le tem d drumi né ( falava isso c/1 peixeira nas mãos rs ), tem d co-mê e sô eu q faço a comidinha dele coloco nela o q quisé né..." rs rs

    Do mesmo modo, vi e vejo tanto homens “bem postos” na vida se comportarem d forma brutal c/ mulheres, em geral independente financeiramente; qto mulheres independente financeiramente e cultas, sustentarem marmanjos q as espancam, entre outras coisas.
    E qdo falo sustentam; me refiro não só aos q não trabalham mas aos q trabalham e não gastam um tusta por conta das "patrocinadoras"; batem no peito se proclamando os "reis da finanças" ( assim tb né rs ) e, pasmem ( ou não... rs ) entre esses há "profissionais" como advogados, juízes, médicos, jornalistas, oficiais das forças armadas e... Policiais...

    Ah,
    as "otoridadi"... se vivem metendo os pés pelas mãos em assuntos triviais, q dirá num assunto complexo como esse onde desejo, amor, ódio e a eterna disputa entre "o q as pessoas sabem ser o 'melhor' e o q efetivamente fazem, não raro em direção contrária" Reinam absolutos, fazendo, tb não raro, c/ q as "vítimas" na prática acabem cooperando c/seu "carrasco"...

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  4. É justamente por isso que cada relacionamento que termina eu faço não ter volta. Não ligo, não peço, não questiono, faço que nem a Mércia, troco de numero, excluo do orkut, msn, twitter e etc. Destruo cada lembrança que posso ter dela, sendo eu que terminei ou ela. Acabou acabou, justamente para não ter problemas como este. É um absurdo a pessoa ficar com outra pelo grito, pela ameaça e por obrigação e o amor onde fica? Em certos casos como este retratado no post fica em um homicidio brutal onde não se sabe nada até o momento além de suspeitas.

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  5. Muito bom o post! Mesmo!
    É isso aí... Nada de silêncio, mulherada!

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  6. O mundo está psicossomático... estranho.

    A gente fala que há falta de Deus (vivencia, conhecimento, aplicação) nas vidas, mas logo uma placa de religioso ou fanático nos cai no pescoço.

    As pessoas de bem não podem abaixar a cabeça. Não podem recuar.
    Sim, amiga, é necessário analisar muito bem as pessoas. Mas o ser humano é assim, se entrega, é pura emoção. Não somos máquinas.

    Graças a Deus eu já casei. 15 anos de união. Sou um abençoado em meio ao caos.

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