24 de junho de 2010

A razão disso tudo.

Dias desses quase admiti o que nunca foi meu objetivo: isso aqui é coisa de mulherzinha. O que eu escrevo é coisa de mulherzinha. Eu, geralmente, penso como mulherzinha. Digo quase porque ainda não resolvi isso completamente dentro de mim. E não digo mulherzinha no sentindo pejorativo ou diminutivo da expressão. Mulherzinha porque busca essências, não soluções. Não é exato, não tem respostas. Mulherzinha porque em cada palavra, seja num texto transcrito de estudos inusitados, seja de tentativas de comentários de humor duvidoso, seja nos assuntos de amor, sexo, dúvidas e questões pessoais, seja nas histórias que imagino que alguém possa se identificar, eu busco essências. Eu busco contos e opiniões. 

Tenho uma curiosidade dignamente feminina por saber o que as pessoas fariam, como elas reagem, de que forma elas entendem tudo isso. Procuro dentro de mim e dentro de toda reação uma nova idéia. Uma nova viagem. Um caminho diferente. Sejam nos comentários rasos e nitidamente sem propósitos (que, como boa mulherzinha, chegam até a magoar) até as reações detalhadas de quem, a sua maneira, sente junto comigo. Em momento algum eu foquei isso numa 'luta de sexos' ou em experiências femininas. Tentarei sempre, e não sei exatamente se conseguirei, uma linguagem universal. Sem essa classificação mesquinha de público. E confesso, o tempo inteiro senti orgulho por ter leitores universais

Li algumas observações sobre escrever pelo abstrato. Críticas por conta da busca de falar em sentimentos. "Pára de tentar definir o que é o amor". "Deixe de criar regrinhas para relações humanas". "Desista do subjetivo". Pois bem, esta é a questão, eu não defino. Eu não crio. E eu não desisto.

Eu não escrevo um manual de boas maneiras. Não faço a mínima questão de teorizar o que a prática ensina. Eu escrevo porque sou leitora. Não há nada mais encantador para mim do que ler um texto, um livro, uma matéria, uma frase, assistir um filme, um comercial de tv e sentir que faço parte disso tudo. Escrevo porque sei que ler ajuda. Ler conforta. Ler questiona. Pelo desejo de provocar sensações. Por uma vontade imensa de entender as reações. Porque quando eu leio, vejo ou ouço alguma comunicação que me faz sentir e reagir, rola aqui dentro uma vontade incomensurável de abraçar o criador. De dizer que ele não está sozinho e sim, fazemos parte deste mundo. E eu escrevo, as vezes de forma repetitiva e com inevitáveis clichês, porque o mundo ainda está buscando. Não se sabe o que, não se sabe porque mas está! Até hoje eu recebo buscas neste blog de expressões como "será que ele me ama" ou "13cm é pequeno?". Coisas estranhas do estilo "o que dizer" "o que sentir".

Ainda hoje, "tempos modernos", onde todo mundo já acha que sabe a cartilha decorada dos relacionamentos humanos e discursa que expor sentimentos é teorizar sobre o nada, recebo mensagens com dúvidas consideradas tolas pela maioria. Gente que, escondida pela internet e pelo modelo padrão de conviver, ainda busca. Que se sente a unica estranha no mundo. Não sei dimensionar se são muitas ou poucas mas existem. Escrevo porque preciso ler. E reler. Escrever organiza as ideias. As minhas e talvez as de quem lê. Porque preciso pedir para que não desistamos de tentar nos entender. De tentar flexibilizar e aprender a respeitar as diferenças. Pedir assim, para todos e para ninguém ao mesmo tempo. Porque rir, discordar, chorar ou duvidar são reações. Textos são assim, seus pensamentos organizados para visualização. Pelo menos os meus. Mal revisados gramaticalmente mas bem repensados. 

Portanto, seja isso coisa de mulherzinha ou coisa de 'humanozinho' continuarei em busca das essências. Não importa se eu realmente já vivi por tudo que escrevi ou se só temos a sensação que estamos em busca do óbvio e indefinível. Eu quero é reação. Quero a teoria e a prática, conhecer e experimentar. Quero companheiros de viagem. Eu quero é mais.

obs: "Texto ganhador do concurso: - Maior quantidade das palavras: Eu e Não em um post - . Ouvi falar que isso é nada bom, enfim."

9 comentários:

  1. Ah, Cafê, tu não me engana não. Eu sei que a razão porque vc escreve é receber comentários te elogiando e massageando esse seu ego leonino, hahaha ;)

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  2. po Andarilho, assim vc me quebra :\

    (elogios alias, escassos pelo jeito rs)

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  3. Eu nem elogio muito, porque elogio pra mulher é que nem uma droga. Vicia e ela quer cada vez mais, hahaha.

    Por isso, só em doses homeopáticas.

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  4. Putz, tenho que concordar com o Andarilho, elogio vicia, mas não nas mulheres, veja bem!

    Cafeina (não chamo de Cafê pq não tenho intimidade suficiente) ainda bem que você mantém a busca por uma compreensão de coisas que nem sempre podem ser compreendidas, pq assim temos sempre uma coisa legal/interessante/boa pra ler nessa imensidão de blogs que copiam o conteúdo um do outro e pq é bom saber que ainda existe gente que questiona as coisas "normais" e, principalmente, SE questiona.
    Acho que precisamos de mais "mulherzinhas" e mais "humanozinhos" no mundo (ou, pelo menos, na internet).

    (Acho que agora vou aceitar o gole de café...)

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  5. Opa, corrigindo, "elogia vicia mas não SÓ nas mulheres..."

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  6. putz Cammy, onde fica o departamento de agradecimento à Cammy por ter entendido o texto? ;-)

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  7. não não Cammy, juro que foi sincero! É bem chato quando a gente escreve alguma coisa e ninguém responde nem entende. Queria te agradecer mesmo!

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  8. Que meigo! #]
    Tá agradecido já, moça!

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