16 de agosto de 2010

Era uma vez um gaúcho...


Era uma vez um gaúcho de Porto Alegre chamado Renato. Alto, gordinho, meio loiro e de sotaque forte, ele estava folheando alguns livros na FNAC da av. Paulista, bem ao meu lado. Puxou um papo furado sobre "São Paulo é uma cidade onde ninguém conversa e blablablabla". Conversamos sobre bairrismos e aceitei um café para esticar a conversa. Renato parecia inteligente, estava em São Paulo há poucos meses por causa de um trabalho, procurava um apartamento para alugar na região, ainda morava num Flat. Trocamos telefones e saímos por alguns dias, quase dois meses.

Eu tenho problemas para fazer perguntas e pedidos as pessoas. Fui criada aprendendo que pedir e fazer muitas perguntas era falta de educação e inconveniente. Nada mais desagradável do que aquelas crianças que entram na casa alheia e começam a pedir comida, perguntar por que o sofá é tão velho e começam a mexer em tudo que veem. Aprendi que isso não se faz e passei a nunca fazer. Tudo que sei sobre as pessoas é o que elas me contam. Homens costumam a contar sobre o trabalho e muito pouco sobre a vida pessoal. E assim, passei a ter surpresas durante meus relacionamentos, eu não perguntava e eles não diziam. Portanto, não posso dizer que mentiram muito pra mim. Não. Eu simplesmente nunca perguntei por medo de ser invasora. E acabei com problemas a medida que a verdade aparecia.

Renato dizia que trabalhava numa empresa de tecnologia e era divorciado. Teve filho e sentia saudades. Mas a vida é assim e ele veio a São Paulo por dinheiro e para esquecer este fato. E me encontrou! E estava gostando pacas de mim. Eu não estava apaixonada mas era uma boa oportunidade de ter uma companhia inteligente, adulta e agradável. Estávamos nos dando muito bem. 

Vésperas do meu aniversário, ele dizia se sentir sozinho em São Paulo, sem familia, sem amigos e agradecia por ter me conhecido. Como boa companheira, emprestei livros e Dvd´s e o ajudei a procurar um apartamento. Quase dois meses, eu já estava gostando de estar com ele. No meu aniversário, combinamos de tomar algo quente e comer uma sopa no pão italiano ali na cafeteria que nos conhecemos. Depois dali, quem sabe ele me faria alguma surpresa (outro erro meu, nunca pergunto mas sempre espero alguma coisa das pessoas, e sabe o que elas fazem? Nada. E eu me decepciono por algo que ninguém me prometeu. Coisas de maluca mesmo.). Passava das 22h e ele não apareceu. Passei a noite do meu aniversário ali me enchendo de café e tentando ligar no celular dele, que claro, não atendia. 

Quando não aparecem, eu, como a maioria das mulheres, tenho fases. Primeiro fico brava. Depois começo a me preocupar "Será que aconteceu alguma coisa?". Depois fico nervosa e imagino uma tragédia. Depois respiro fundo e prefiro que ele tenha morrido mesmo porque me esquecer seria péssimo. Enfim, ele não apareceu. Não retornou a ligação. Desapareceu. E como de costume, não fui atrás, não perguntei. Que seja assim....

Uma semana depois, sou informada pelo Orkut: Novas fotos de Renato. Era ele, feliz, com esposa e filhos em Porto Alegre. Ele nunca havia se divorciado pelo jeito. E pior, levou embora tudo que emprestei pra ele. Devia ter feito um Boletim de Ocorrências, acusado de furto ou sei lá, fraude ao dia do meu aniversário. Até que ele apareceu on line no MSN e tomei coragem pra finalmente pedir alguma coisa na vida: "Renato, por favor, ao menos mande-me por Sedex minhas coisas de volta ok?"

E a resposta ao primeiro pedido que consegui fazer foi:  "Dri, você é uma boa moça, vai entender, a vida é assim, beijos e se cuida".

Offline.

Realmente, pedir é muita falta de educação, as pessoas não reagem bem com isso...

9 comentários:

  1. Caramba, fiquei impressionada. Que canalha!! É complicado, já vi muitas histórias assim (inclusive eu mesma já passei por isso). Não tem como saber em quem devemos confiar né?! Aí surge aquele dilema: a gente começa a se envolver, gosta do cara e não vai confiar nele??? Se a gente não confia, o cara fica todo "decepcionado" com a gente, e se a gente confia, leva esse tapa na cara.
    Se recusamos emprestar algo, somos chatas, se emprestamos, eles não devolvem. É realmente difícil lidar com pessoas, viu.
    Bom, não vou falar pra vc: tenta ver o lado bom da coisa. Pq é mto chato qdo as pessoas querem que vc veja um lado bom, quando na verdade não há um, a não ser claro o fato de vc ter se livrado dele logo. Bom, acho que o certo é confiarmos sempre com um pé atrás... não tem outro jeito, é isso mesmo!!

    Beijos

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  2. O que esperar de um safado desses, hein?

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  3. Regra número 1: Jamais, em hipótese alguma, empreste livros e/ou cds pra ninguém, nem pra sua mãe! Eles tendem a ir e não voltar mais.
    Tenho lido tanta estória de cafas por aí que estou começando a ficar traumatizada, achando que meu namorado é um terrorista...

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  4. Sintomático qq coisa q tenha 1 Renato Gaúcho e sexo remotamente ligados...

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  5. bah q safado ...tbm me aconteceu um caso parecido conheci um cara tri gente boa neh e começamos a conversar e tal e ele dizia q naum amava ninguem e tal....eu realmente estava começando a gostar dele e muito ele chego ate me dar uma correntinha de proteção dele....ele dizia q gostava di mim q eu era mt especial .e pois bem ele ligava todo dia e eu esperava anciosa pelo seu telefonema ate q um dia ele naum ligou mais e assim repitiu eu achei estranho ...ate q vi no seu orkut uma foto dele com a ex namorada falando juras de amor a ela...ele nem me deu uma explicação nehuma ...bem fiquei mt com isoo mesmo..mais bola pra frente ...

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  6. @Ka.LittleMonster que é tu pra dizer que gaucho nao presta, vai te enxerga

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  7. Já surgiu umgaúcho na minha vida, rsrsrsrs, mas pelo contrário, ele é um fofo, não é casado, não tem fihos, só eu que me ludo a toa mesmo por ee ser tão lindo... Foi por causa dele que o meu apelido no blog é Red Wine... mas enfim, adoro o que vc escreve, são coisas que eu não teriacoragem de escrever só por serem bastante reveladoras dos meus sentimetos... mas parabéns!

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  8. Já apareceu um gaúcho namnha vda, mas peo contrário, ee não é nenhum mau caráter com filhos e casado. Sou eu que fico me iludindo,por ele ser tãolindo. É por causa dele que meu apelido no bog é Red Wine. Mas enfim... Parabéns! osto muito do que escreves!

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