19 de novembro de 2010

Desabafo

Automutilação, já li umas quatro matérias sobre , tudo por causa da Demi Lovato que talvez esteja sofrendo desse transtorno. Graças a ela esse assunto vem a tona, junto com os problemas reais e imaginários que a adolescência traz, sempre fica aquela pergunta, por que alguém pega uma faca e se corta propositalmente?
Loucura? Pressão? Vontade de sentir dor? Algumas pesquisas apontam para dois motivos, biológico e psicológico e diz que quem faz isso não sente dor, discordo.
Quando tinha meus 12 anos a minha vida era um inferno, para uma pré adolescente extremamente sensível e chorona acreditem, meu mundo era o lixão, meu pai era alcoolatra e agredia minha mãe, que sofria calada por causa dos filhos, eu não tinha amigos no colégio, todo mundo me achava estranha, feia, magra e idiota. Se existiu uma época na minha vida em que me senti muito infeliz, foi essa. Ainda mais porque não entendia o que sentia e muito menos o mundo ao meu redor, não que hoje consiga entender, mas nessa fase pré adolescente tudo era muito mais complicado e exagerado.
Não bebia, não fumava e não comia. Esse era meu mundo, costumava passar horas trancada no quarto ouvindo A-ha e me desidratando de tanto chorar. Era uma dor tão grande, espaçosa e sufocante que era quase impossível respirar.
Numa noite peguei o estilete, não tinha a intenção de me matar, mesmo porque já tinha tentado umas duas vezes e falhado. Fiquei olhando para ele e do nada cortei meu dedo. Senti dor, uma dor aguda e ardida e enquanto olhava o sangue escorrer percebi que essa dor silenciava todas as outras dores.
Era isso, me mutilar tinha o poder de tranquilizar meu cérebro e de acabar com toda a angústia.
Não me lembro quantos anos fiquei nessa, as vezes achava até bonitas as cicatrizes no meu corpo, queria até exibi-las como um troféu, tipo: olha só o que eu fiz comigo mesma! Tô viva!
A grande contradição era essa, a automutilação me dava a sensação de estar viva e de alguma forma me ajudou a superar essa fase complicada, meu sofrimento era real e foi o jeito que encontrei de passar por tudo isso. Quando contei isso para um psiquiatra ele me receitou alguns antidepressivos, insistiu que deveria tomar os remédios para nunca mais me cortar, não tomei nenhum e a vontade de me automutilar foi desaparecendo aos poucos.
Depois de ler sobre esse assunto em sites e revistas, entendi o que aconteceu comigo naquela época, entendi que me cortar era a minha válvula de escape da realidade, a maneira que encontrei de lidar com toda a angústia que existia dentro de mim e que ninguém percebia que existia.
Conheci uma garota que come cabelo, ela chora e arranca mechas do cabelo e engole, diz que isso a tranquiliza e a deixa mais segura sobre o mundo em que vive, algumas pessoas que ouviram o desabafo dessa adolescente ficaram horrorizadas...eu entendi.

Se quiser saber mais, clica aqui ó.

5 comentários:

  1. Realmente, realmente adolescência é uma fase complicada. Eu imagino com problemas do tipo que você passou como pode ser pior e também imagino que não deve ser nada fácil para um adolescente viver mantendo essa pose de superstar.

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  2. E as pessoas acham que remédio resolve. Não resolve. O que resolve é descobrir a causa do problema, descobrir o porquê. remédio todo mundo toma. coragem para vir aqui e dizer o que aconteceu com vc na adolescência, consciente hoje de pq vc fazia, essa, nem todo mundo tem.
    Superação, é esse o remédio.
    Bjs!

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  3. Pois é Eve, entender os motivos que nos levam a fazer essas coisas é a coisa mais dificil, mas tb a mais eficaz, bjocas

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  4. De um jeito ou outro, acho q automutilação sempre tem a ver com um pedido de ajuda. Que quase sempre passa batido...

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  5. O filme Aos Treze mostra bem isso. Mtas pessoas usam a dor para esquecer os problemas. Complicado =/

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